sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
O Milho, o Pão e o Forno
O milho sempre ocupou um lugar central na vida quotidiana da Casa de Sanoane de Cima. Cultivado nos campos envolventes, semeado à mão e colhido em tempo próprio, o milho representava sustento, trabalho e continuidade.
Depois de seco nas canastros e palheiros, era cuidadosamente guardado, desfolhado e escolhido, assegurando a qualidade do grão destinado à moagem.
A farinha de milho, obtida nos moinhos da região, era a base do pão que alimentava a família e, muitas vezes, também os trabalhadores agrícolas. O pão não era apenas alimento: era símbolo de partilha, de esforço coletivo e de respeito pelo ciclo da terra. Cada fornada representava dias de trabalho nos campos e horas de preparação dentro de casa.
O forno a lenha da Casa de Sanoane de Cima assume, neste contexto, um papel de grande relevo. Construído em pedra, sólido e funcional, era aquecido com lenha cuidadosamente escolhida, criando a temperatura ideal para a cozedura lenta e uniforme. O acender do forno marcava um momento especial: reuniam-se saberes transmitidos entre gerações, gestos precisos, tempos certos e um profundo conhecimento empírico.
As masseiras enchiam-se de farinha, água e fermento natural, trabalhados à mão até ganharem corpo e vida. Depois de levedar, a massa era moldada em broas e levada ao forno, onde o cheiro do pão quente se espalhava pelo pátio e pelas dependências agrícolas, anunciando que a fornada estava pronta.
O forno a lenha não servia apenas para o pão. Nele se cozinhavam também bolos, assados e, em dias festivos, pratos que reuniam a família alargada e os vizinhos. Era um espaço de encontro, de conversa e de transmissão de histórias, reforçando laços familiares e comunitários.
Hoje, o forno a lenha, a masseira permanecem como um dos elementos mais simbólicos da Casa de Sanoane de Cima, testemunho vivo de uma ruralidade autêntica, onde o milho e o pão representavam muito mais do que alimento: eram identidade, memória e herança cultural.
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