terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A Figueira de Sanoane e os Figos de São João

A Figueira de Sanoane e os Figos de São João Na rechã de Sanoane, onde a terra é macia e o vento conta histórias antigas, ficava a Casa de Sanoane de Cima. Era uma casa de pedra, forte e acolhedora, onde viviam Miguel, os seus pais António José e Luísa, e o avô, que sabia tudo sobre a terra, as árvores e os animais. Mesmo ao lado da casa erguia-se uma figueira centenária, muito especial. O seu tronco não era um só, mas múltiplo, como se várias árvores tivessem decidido crescer juntas, abraçadas pelo tempo. Os seus ramos largos estendiam-se sobre a rechã, oferecendo sombra fresca nos dias quentes. — Esta figueira é mais velha do que todos nós — dizia o avô a Miguel, sorrindo. — Ela guarda as memórias de Sanoane.Todos os anos, quando chegava o mês de junho, a figueira enchia-se de figos brancos de São João, doces e perfumados. Eram um verdadeiro tesouro da natureza. Logo de manhã, os pássaros vinham primeiro. Saltitavam de ramo em ramo, bicando os figos maduros e cantando como se estivessem a agradecer. Mais tarde, as ovelhas que pastavam por perto aproximavam-se com cuidado, comendo os figos que caíam no chão. À noite, quando tudo ficava silencioso, apareciam outros visitantes. A raposa, esperta e curiosa, passava devagarinho. O ouriço-cacheiro, pequenino e tranquilo, aproximava-se sem fazer barulho, deliciando-se com os figos caídos. — A figueira alimenta a todos — dizia Luísa. — E ensina-nos a partilhar — acrescentava António José.Miguel gostava de ouvir o avô contar que também as pessoas que passavam pelo caminho paravam ali. Colhiam um figo, sentiam a sombra e seguiam viagem com um sorriso no rosto. Num fim de tarde, Miguel abraçou um dos troncos da figueira e disse baixinho: — Obrigado por cuidares de nós.O avô sorriu e respondeu: — Enquanto cuidarmos da figueira, ela cuidará de Sanoane. E assim, na Casa de Sanoane de Cima, entre a família, os animais e a figueira centenária, a vida seguia simples, doce e cheia de histórias — como os figos brancos de São João.

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