sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
A Casa de Sanoane de Cima e o Capitão de Abril, Sousa e Castro
A ligação do Capitão Sousa e Castro à Casa de Sanoane de Cima remonta a 1969, muito antes de o seu nome ficar associado ao Conselho da Revolução e ao papel de porta-voz da Junta Militar após o 25 de Abril de 1974. Foi nesse ano que o então cadete, e mais tarde Alferes de Artilharia, Manuel Braz frequentou a Escola Prática de Artilharia – Escola de Cadetes – em Vendas Novas, instituição da República Portuguesa. Hoje, Manuel Braz é proprietário da Casa de Sanoane de Cima, lugar onde a memória pessoal e a história coletiva se cruzam.
Mais tarde, já promovido a Capitão de Artilharia, Sousa e Castro foi colocado no Regimento de Artilharia de Torres Novas. Aí conheceu Maria Alice Brás, irmã de Manuel Braz, que se apoiaram durante a permanência naquela cidade. Maria Alice encontrava-se colocada na Escola Preparatória local, vinda da Universidade de Coimbra, num tempo em que os percursos profissionais e pessoais se iam traçando entre mudanças e incertezas.
Os caminhos da vida acabariam por se desencontrar. O Capitão Sousa e Castro seguiu para Moçambique, integrado num batalhão de artilharia, enquanto o Alferes Manuel Braz partia para Cabo Verde e, posteriormente, para Angola, numa companhia de artilharia, participando na guerra de guerrilha que marcou o fim do ciclo colonial português em Angola, Moçambique e Cabo Verde.
O destino, contudo, voltou a aproximá-los anos depois, na participação de apoio a Maria de Lourdes Pintassilgo, candidata à Presidência da República Portuguesa em 1986. Nesse contexto, os encontros tornaram-se frequentes, retomando-se laços antigos, agora num tempo diferente, marcado pela democracia e pela participação cívica.
Desde então, a Casa de Sanoane de Cima tem recebido, de forma pontual, a visita de Sousa e Castro. A mais recente foi inesperada, mas profundamente agradecida, pela importância simbólica e histórica do momento. Cada visita é mais do que um reencontro pessoal: é a reafirmação de uma ligação que atravessa décadas, regimes políticos e geografias, unindo memórias individuais à história viva de Portugal.
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