sábado, 13 de dezembro de 2025
Primavera de Bucos
Entre os socalcos verdes, o vento desliza como um sussurro desperto. O campo se veste de cores suaves, e as cerejeiras florescem em nuvens rosadas, espalhando perfume pelo ar. As ribeiras, com suas águas cristalinas, cantam baixinho, como risos de crianças correndo monte abaixo. Cada canto da aldeia parece acordar para um novo ciclo, e o tempo, aqui, respira no ritmo da natureza.
É na primavera que Bucos se revela no seu esplendor mais calmo e radiante. O ar tem o perfume de recomeço, macio e brilhante como o sol filtrado pelas giestas. As pessoas saem de casa, como que atraídas pela luz que inunda os campos, e tudo ao redor reflete a renovação que a estação traz.
Os socalcos que definem a paisagem de Bucos — verdadeiros labirintos verdes — tornam-se o cenário perfeito para os pequenos gestos da vida rural. As flores nascem nos cantos mais inesperados, e a terra, cultivada com tanto cuidado, parece agradecer o toque da estação. Quem passa por ali, seja morador ou visitante, sente o abraço suave da primavera, como uma promessa de crescimento e continuidade.
Na aldeia, as conversas giram em torno das colheitas que estão por vir. As mulheres, com os cestos ao braço, já falam sobre o tempo da apanha da cereja, as frutas vermelhas que dominam os campos e que logo estarão prontas para enfeitar as mesas e as festas de verão. A vida é feita de pequenos ciclos, e em Bucos, cada um deles é celebrado com a mesma intensidade, como um ritual de união entre a terra e as pessoas.
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