sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
A Videira Encantada de Sanoane de Cima e o Menino Pedro
Na freguesia de Bucos, havia uma casa muito antiga chamada Casa de Sanoane de Cima, e junto dela crescia uma videira tão grande e tão frondosa que todos na aldeia a conheciam.
Diziam até que era a Rainha das Videiras da Serra da Cabreira.
A videira era tão enorme que, com o passar dos anos, se estendeu com graça sobre o caminho público e abriu os braços verdes até à rechã do cruzeiro e ao muro da casa. Os seus ramos faziam uma sombra fresca, boa para descansar no verão.
Debaixo dela ficava o lavadouro, onde as mulheres iam lavar a roupa cantando. A sombra da videira protegia-as do sol, e as folhas murmuravam histórias ao vento.
Até os animais, quando iam beber água ao tanque, paravam um instante, como se escutassem a voz suave da videira.
E quem mais adorava aquele lugar era o menino Pedro.
Pedro passava ali muitas tardes. Assim que as primeiras uvas amadureciam, ele chegava devagarinho, estendia a mão e colhia um cacho. As uvas eram doces, brilhantes como pequenas jóias, e ele dizia muitas vezes:
— São as melhores uvas do mundo!
Mas Pedro não era o único admirador. As crianças que passavam pelo caminho paravam sempre para provar um bago, felizes com aquele presente da natureza.
A videira gostava disso. Sentia-se útil, importante, parte viva da aldeia. E quando chegava o tempo das vindimas, os adultos colhiam as uvas com respeito e alegria.
Depois, lá na adega, nascia um vinho saboroso, que enchia a Casa de Sanoane de Cima com o cheiro suave do outono.
Certa tarde, enquanto Pedro descansava à sombra da videira, ouviu um sussurro leve, como se as folhas falassem:
— Obrigado, Pedro. Tu e todos os que aqui passam dão-me vida. Sem vocês, eu não seria esta videira feliz que sou.
Pedro sorriu, porque no fundo acreditava que as plantas tinham alma — e aquela videira, com certeza, tinha uma grande.
Desde então, sempre que alguém passava pelo caminho público, pela rechã do cruzeiro ou pelo lavadouro, lembrava-se da velha videira amiga, que dava sombra, acolhia pessoas, refrescava animais, oferecia uvas doces às crianças e vinho delicioso aos adultos.
E o menino Pedro cresceu com a certeza de que aquela videira fazia parte da história da sua vida — e da própria magia de Bucos.
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