domingo, 8 de fevereiro de 2026
Gostei de ler a história de António José Seguro. Em nenhum momento, o narrador sugere que o seu percurso tenha sido populista, demagógico, provocador, inflamatório, oportunista, agressivo, radical, alarmista,prepotente, charlatão e outros adjetivos. Pelo contrário, revela um homem que sempre trabalhou com honestidade, construindo uma vida clara e límpida, cumpridora das suas obrigações, pagando as suas contas.
As oportunidades que surgiram ao longo do caminho apareceram por mérito próprio, sem alaridos nem atalhos, como resultado natural de um trabalho consistente e discreto.
No contexto atual, a pessoa de António José Seguro é plenamente merecedora do lugar que vai ocupar, não apenas pelo seu currículo, mas sobretudo pelo seu trajeto sereno, marcado pela integridade, pela constância e pelo respeito com que sempre conduziu a sua vida.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Índice - Casa de Sanoane de Cima
Prefácio
Introdução
Enquadramento geográfico territorial
Enquadramento paisagistico
Enquadramento Social
Enquadramento Histórico e Social
Leitura Patrimonial e Valor Patrimonial Simbólico e Construtivo
Leitura arquitetónica da Casa de Sanoane de Cima
Conclusão
Epílogo,
Notas Finais
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Descrição articulada do Retrato-Escultura de Manuel Braz - Livro de Memórias
A escultura-retrato de Manuel Braz apresenta-se como um objeto de arte autónomo, de presença solene e intencionalmente intemporal.
Executada integralmente em ouro polido, a figura afasta-se da representação naturalista para assumir uma linguagem escultórica depurada, onde a identidade não é literal, mas sugerida pela estrutura do rosto, pela proporção dos planos e pela geometria essencial da silhueta.
Os traços faciais surgem em baixo-relevo e facetação, como se a memória tivesse sido cristalizada em matéria nobre: o olhar insinuado por planos oblíquos, o sorriso contido gravado na superfície metálica, a cabeça como volume firme e sereno.
As incrustações de diamantes, pérolas e pedras coloridas pontuam a superfície não como ornamento excessivo, mas como marcas de valor, experiência e continuidade — cada brilho funcionando como metáfora de episódios vividos, relações construídas e heranças transmitidas.
As gravações e filigranas que percorrem o busto evocam saberes artesanais antigos, aproximando a escultura de uma lógica de objeto patrimonial, quase ritual. Não se trata de um corpo vivo, mas de uma presença simbólica: um retrato que existe entre a pessoa e a memória, entre o indivíduo e o lugar que o moldou.
Nesse sentido, a escultura estabelece um diálogo profundo com a Casa de Sanoane de Cima. Tal como a casa, Manuel Braz é aqui representado como estrutura, não como episódio passageiro.
Ambos partilham a mesma ideia de permanência: a casa como corpo construído ao longo do tempo, o retrato como corpo transformado em matéria durável.
As filigranas do ouro ecoam as marcas deixadas nas paredes, nos pátios e nos caminhos antigos; as pedras incrustadas refletem a densidade simbólica de um lugar habitado por gerações.
A escultura pode ser lida, assim, como uma extensão humana da Casa de Sanoane de Cima — não um simples retrato individual, mas a personificação de uma ligação contínua entre pessoa, território e memória.
Tal como a casa, o retrato não pertence apenas ao presente: existe para ser visto, interpretado e reconhecido no futuro, como testemunho de pertença, identidade e continuidade.
Retrato de Manuel Braz
Este retrato guarda mais do que a imagem de um homem num momento da sua vida. Guarda um modo de estar no mundo que encontra eco na Casa de Sanoane de Cima — a mesma contenção, a mesma sobriedade, a mesma permanência discreta.
Tal como a casa, também este rosto se apresenta sem excessos. O olhar firme, a postura medida e o fato cuidadosamente composto revelam uma relação profunda com o tempo e com a responsabilidade. Não há aqui gesto supérfluo: há presença. Uma presença que se construiu entre paredes conhecidas, ritmos agrícolas, estações repetidas e uma vida feita de continuidade.
A Casa de Sanoane de Cima não era apenas o lugar onde se habitava; era o espaço onde se aprendia a resistir, a cuidar e a permanecer. Este homem pertence a esse universo. A sua imagem parece trazer consigo os mesmos valores que moldaram a casa: solidez, discrição e sentido de pertença.
As marcas que hoje atravessam a fotografia — riscos, dobras, sinais de uso — são semelhantes às que o tempo deixou na casa. Não são feridas, mas testemunhos. Confirmam que tanto a imagem como a arquitetura foram vividas, atravessadas por gerações, tocadas pelo quotidiano.
Integrar este retrato neste livro é reconhecer que a história da Casa de Sanoane de Cima não se escreve apenas através de paredes, pátios ou terrenos, mas também nos rostos que lhe deram vida. A casa permanece porque foi habitada. E este rosto permanece porque pertence à Casa.
Prefácio do livro
Este livro nasce da vontade de reconhecer e dar sentido à Casa de Sanoane de Cima, entendida não apenas como uma construção, mas como um lugar de memória, de pertença e de continuidade.Antes de qualquer abordagem técnica ou histórica, impõe-se vê-la como um espaço vivido, marcado pela passagem do tempo e pela presença de sucessivas gerações. Entre paredes de pedra e caminhos antigos, a casa guarda histórias, gestos quotidianos, silêncios e afetos que lhe conferem significado e identidade.Ao longo destas páginas, a Casa de Sanoane de Cima é situada no seu contexto geográfico, paisagístico e humano, revelando a profunda relação entre o edificado, o território e a comunidade que o moldou. A paisagem, os percursos, o meio rural e as formas de habitar ajudam a compreender não só a implantação da casa, mas também a sua permanência no tempo.A casa é aqui observada como património vivo: material na sua forma, cultural no seu valor simbólico, social e histórico. A sua história confunde-se com a história de quem a habitou, refletindo modos de vida, transformações e continuidades que ultrapassam a dimensão individual.Este livro propõe, assim, uma leitura integrada da Casa de Sanoane de Cima, valorizando-a como herança coletiva e como referência de memória. Mais do que um olhar sobre o passado, é um convite a reconhecer a casa como elemento vivo, capaz de continuar a contar histórias e de inspirar novas formas de relação com o património e com o território.
Casa de Sanoane de Cima, Paisagem Rural
A Casa de Sanoane de Cima insere-se numa paisagem rural de forte matriz agrícola. A construção em pedra, de carácter utilitário, revela a arquitetura tradicional do meio rural, associada à economia de subsistência.
Destaca-se o canastro/espigueiro, elevado do solo, testemunho da antiga conservação de cereais e do saber construtivo local.
O enquadramento natural é marcado por oliveiras centenárias, árvores de grande valor simbólico, produtivo e paisagístico, que atestam a continuidade da ocupação humana e agrícola ao longo de gerações.
A presença de ovinos em pastoreio reforça a ligação viva entre o edificado, a terra e as práticas tradicionais ainda ativas.
O conjunto — casa rural, estruturas agrícolas, árvores antigas e uso do solo — constitui uma leitura clara da paisagem cultural, onde natureza e ação humana se articulam de forma equilibrada, transmitindo memória, identidade e permanência no tempo.
Casa de Sanoane de Cima, a Eira
A composição arquitetónica organiza-se em torno de um pátio central lajeado em pedra, elemento estruturante da casa rural tradicional, que funciona simultaneamente como espaço de circulação, trabalho e convivência. Este vazio central articula os diferentes corpos edificados, reforçando a unidade do conjunto e a sua relação com o exterior.As construções apresentam paredes portantes em granito aparente, de aparelhamento irregular, testemunhando técnicas construtivas vernaculares e uma forte adequação aos recursos locais. A espessura dos muros confere inércia térmica, robustez estrutural e uma expressão de permanência, características próprias da arquitetura rural do Norte de Portugal.Os telhados de duas águas, cobertos por telha cerâmica tradicional, garantem uma leitura volumétrica simples e funcional, adaptada às condições climáticas. A presença de pilares em pedra no alpendre reforça o carácter utilitário do espaço coberto, originalmente associado a tarefas agrícolas, abrigo de animais ou armazenamento.Observa-se uma intervenção contemporânea de adaptação, visível nas amplas superfícies envidraçadas e na ligação entre corpos edificados. Esta solução introduz luz natural e transparência, estabelecendo um diálogo entre o antigo e o novo, sem romper com a escala nem com a materialidade dominante. O vidro assume aqui um papel de mediação, permitindo a leitura contínua do pátio e da paisagem envolvente.O conjunto revela, assim, uma arquitetura evolutiva, resultado de sucessivas fases de construção e adaptação, onde a função original rural se transforma progressivamente em espaço de habitação e fruição. O pátio mantém-se como núcleo simbólico e funcional, preservando a memória do lugar e assegurando a continuidade entre passado e presente
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