sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
A Nogueira da Casa de Sanoane de Cima e o Miguel
A Nogueira da Casa de Sanoane de Cima e o Miguel
Na aldeia serena de Bucos, havia uma casa antiga com um quintal mágico, onde se erguia uma grande nogueira. Era tão alta que parecia tocar o céu, e tão antiga que muitos diziam que já existia quando os avós dos avós eram crianças.
O Miguel, um menino curioso e cheio de imaginação, adorava brincar debaixo daquela árvore. Para ele, a nogueira era mais do que apenas uma árvore: era uma amiga que sabia ouvir, guardar segredos e contar histórias ao vento.
Todas as manhãs, Miguel ia ter com ela.
— Bom dia, Dona Nogueira! — cumprimentava, levantando a cabeça para ver as folhas dançarem ao sol.
A nogueira, com o seu tronco largo e rugoso, respondia sempre da mesma forma: com um suave balançar de ramos, como quem diz “Bom dia, Miguel”.
O Segredo da Nogueira
Um dia, enquanto Miguel brincava com uma casca de noz caída no chão, ouviu um sussurro leve, quase como um sibilo do vento:
— Miguel… Miguel…
Assustado, olhou à volta, mas não havia ninguém. O sussurro voltou:
— Sou eu, a Nogueira… Quero mostrar-te uma coisa.
Miguel aproximou-se do tronco e pousou a mão. Num instante, sentiu o chão a brilhar sob os pés, e uma pequena porta de madeira surgiu na base da árvore.
— Entra, disse a voz suave.
O coração do Miguel batia depressa, mas a curiosidade era maior que o medo. Ele empurrou a portinha e entrou num mundo secreto, cheio de luz dourada e cheirinho a folhas frescas.
Lá dentro, viviam pequenos duendes das nozes, criaturas alegres com barbas feitas de fios de casca e chapéus verdes. Eles guardavam o segredo da árvore: um tesouro de memórias.
O Tesouro das Memórias
O chefe dos duendes, chamado Nozico, aproximou-se:
— Miguel, esta nogueira guarda as memórias das famílias que viveram na Casa de Sanoane de Cima. Cada noz é uma recordação, uma história, um riso, uma alegria!
Mostrou-lhe uma noz brilhante. Quando a abriu, Miguel viu como num filme: crianças a brincar, festas no quintal, merendas de verão à sombra da nogueira. Era como se o tempo voltasse atrás.
— A tua família também faz parte destas memórias, disse Nozico. — E agora tu, Miguel, és o guardião deste lugar.
A Promessa do Miguel
Miguel sorriu, cheio de orgulho. Prometeu que iria cuidar da nogueira, dos duendes e das histórias guardadas.
Quando saiu pela portinha mágica, ela desapareceu, deixando apenas o tronco forte e silencioso.
A nogueira voltou a falar:
— Sempre que precisares, Miguel, estarei aqui. Basta ouvires o vento.
E assim, todos os dias, Miguel continuou a visitar a sua amiga. Agora sabia que, para além da sombra e das nozes, aquela árvore escondia um mundo inteiro — um mundo que só existe para quem acredita na magia das coisas simples.
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