sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Enquadramento Geográfico da Casa de Sanoane de Cima

A Casa de Sanoane de Cima implanta-se na parte alta da freguesia de Bucos, ocupando uma posição dominante e estrategicamente escolhida no território. Esta localização elevada permite uma relação direta com a paisagem envolvente, garantindo boa exposição solar, controlo visual sobre os campos agrícolas e proximidade aos recursos naturais essenciais à subsistência. O território que envolve a casa caracteriza-se pela presença de campos de socalcos, modelados ao longo de séculos pelo trabalho humano. Estes socalcos, sustentados por muros de pedra, refletem uma adaptação inteligente à morfologia acidentada do terreno, permitindo o cultivo em encostas e o aproveitamento eficiente da água e dos solos. A organização dos campos evidencia uma agricultura tradicional de montanha, fortemente dependente da regularização do relevo.A proximidade às linhas de água, foi determinante para a fixação da casa neste local. Estas linhas asseguravam o abastecimento doméstico e a rega dos campos, estruturando a ocupação agrícola e a distribuição das culturas. A presença de poças e levadas confirma a importância da água como elemento organizador do território e da vida quotidiana. Os acessos à Casa de Sanoane de Cima desenvolvem-se a partir da estrada municipal, da qual derivam caminhos antigos de ligação à aldeia e às propriedades agrícolas. A casa situa-se num ponto de confluência de caminhos tradicionais, nomeadamente os que ligam a Portela, a igreja e a Cruz de Prados, assumindo-se como lugar de passagem e referência no tecido rural. A proximidade ao cruzeiro reforça o seu enquadramento simbólico e territorial, associando o espaço habitado a práticas religiosas, percursos comunitários e marcos identitários da freguesia. Do ponto de vista natural, a casa insere-se num território de clima de montanha, influenciado pela proximidade da Serra da Cabreira. Os invernos são frios e rigorosos, com precipitação significativa, enquanto os verões tendem a ser amenos, favorecendo determinadas culturas agrícolas e condicionando as soluções construtivas adotadas. Esta realidade climática explica a robustez das paredes de pedra, a organização compacta dos volumes e a orientação cuidada da edificação. A Casa de Sanoane de Cima integra-se, assim, de forma harmoniosa num território moldado pela interação contínua entre natureza e ação humana. A sua implantação revela um profundo conhecimento do meio físico, traduzido na escolha do local, na gestão da água, na organização dos acessos e na relação equilibrada entre habitação, campos agrícolas e paisagem envolvente.

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