sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Enquadramento Histórico e Social da Casa de Sanoane de Cima (desde 1677)

Enquadramento Histórico e Social da Casa de Sanoane de Cima (desde 1677) A Casa de Sanoane de Cima, também referida nas memórias mais antigas como Casa de Sanhoane de Riba, possui uma linhagem familiar documentada que remonta ao ano de 1677, constituindo um raro exemplo de continuidade habitacional e patrimonial ao longo de mais de três séculos. A referência mais antiga surge nas memórias paroquiais de 18 de junho de 1677, data em que é registado o casamento de Simão Delgado com Margarida Francisco (ou Francisca), identificados como moradores da Casa de Sanhoane. Este registo marca o início conhecido da presença da família Delgado/Francisco associada à casa, sendo considerada a primeira família documentada do local. Posteriormente, as memórias referem o casamento de António Delgado, natural desta casa, com Ilena Oliveira, oriunda da Casa do Ruival, consolidando a linhagem Delgado/Oliveira e reforçando as alianças familiares entre casas vizinhas, prática comum no contexto rural da época. Já em 22 de janeiro de 1747, surge o registo do casamento de João Delgado, igualmente desta casa, com Ana Domingos ou Domingues, dando continuidade à presença da família Delgado na Casa de Sanoane de Cima e originando a linhagem Delgado/Domingues. Sem data precisa, mas ainda no decurso do século XVIII, as memórias paroquiais referem o casamento de Catarina Delgado com Manuel Henriques, momento particularmente significativo, pois assinala a transição do apelido Delgado para Henriques, marcando uma mudança nominal que, contudo, mantém a continuidade familiar e patrimonial da casa. A partir deste enlace estabelece-se a família Delgado/Henriques, dando início à linhagem Henriques associada à Casa de Sanoane de Cima. Posteriormente, também sem data exata, é referido o casamento de Domingos Henriques, desta casa, com Maria Alvarez, natural do Lugar de Paredes, freguesia de Salto, constituindo a família Henriques/Alvarez e ampliando a rede de ligações familiares para além do lugar de Bucos. Em 5 de junho de 1803, é registado o batismo de José, filho desta casa, nascido a 30 de maio do mesmo ano, reforçando a permanência da família Henriques na Casa de Sanoane de Cima no início do século XIX. Surge depois a referência a José Henriques Basto ou Bastos, nascido em 1812, natural desta casa, que contraiu casamento com Maria Gomes, da Casa da Pereira, dando origem à linhagem Henriques/Gomes. A introdução do apelido Basto ou Bastos reflete práticas de distinção familiar comuns à época, sem quebra da continuidade patrimonial. Em 1844, as memórias paroquiais registam o casamento de António Henriques Basto, desta casa, com Luiza Fernandes, da Casa de Cortezelas, formando a família Henriques/Fernandes e confirmando a vitalidade social e demográfica da casa ao longo do século XIX. Já no início do século XX, em 1900, ocorre o casamento de José Henriques Basto ou Bastos com Maria Vieira, da Casa de José, mantendo-se a residência e a ligação direta à Casa de Sanoane de Cima, agora com a linhagem Henriques Basto/Vieira. Um momento determinante ocorre em 1953, com o falecimento de José Henriques, altura em que a casa transita para a família Henriques Braz, marcando a fase mais recente da história familiar da Casa de Sanoane de Cima e assegurando a continuidade do património até à atualidade.

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