sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Enquadramento Social da Casa de Sanoane de Cima
A Casa de Sanoane de Cima foi, ao longo de gerações, muito mais do que um abrigo físico. Foi espaço de vida, de trabalho, de convivência e de transmissão de saberes. Como tantas casas rurais de Bucos, organizava-se em torno da família alargada, onde várias gerações partilhavam o mesmo espaço, os mesmos ritmos e as mesmas responsabilidades.
A vida social da casa estava profundamente ligada à terra. O calendário agrícola ditava o quotidiano: a matança do porco, as sementeiras, as colheitas, a vindima, a apanha da azeitona e a produção do pão estruturavam o ano e mobilizavam todos os membros da família.
Cada espaço da casa e das dependências agrícolas tinha uma função clara, refletindo uma organização social baseada na cooperação, na partilha e no esforço coletivo.
A Casa de Sanoane de Cima foi também lugar de encontro. A eira reunia vizinhos nos dias de malha do milho e do centeio, a adega acolhia conversas demoradas após o trabalho, e o forno a lenha era ponto de partilha e solidariedade, onde o pão de várias famílias era cozido em conjunto.
Estes momentos reforçavam os laços comunitários e criavam uma rede de apoio fundamental à sobrevivência num meio rural marcado pela exigência física e pela dependência da natureza.
As mulheres desempenhavam um papel central na gestão da casa, na preparação dos alimentos, na criação dos filhos e na preservação das tradições, enquanto os homens se dedicavam sobretudo ao trabalho dos campos e às tarefas mais pesadas.
Ainda assim, a divisão de funções era flexível, ajustando-se às necessidades de cada momento e às contingências da vida rural.
A casa guarda, assim, a memória de um modo de vida assente na proximidade humana, na economia de subsistência e numa forte ligação à comunidade, valores que hoje persistem sobretudo através das lembranças, dos relatos orais e do afeto que os descendentes continuam a nutrir por este lugar.
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