sábado, 24 de janeiro de 2026

Epílogo Casa de Sanoane de Cima – Ecomuseu Familiar

A Casa de Sanoane de Cima não é apenas um edifício antigo preservado no tempo. É um lugar de memória viva, onde as paredes de pedra guardam histórias, gestos e silêncios acumulados ao longo de gerações. Cada espaço — da casa à eira, do lagar ao canastro, do tanque de água aos caminhos antigos — testemunha modos de viver profundamente enraizados no território e na relação respeitosa entre o homem e a natureza. Enquanto ecomuseu familiar, Sanoane de Cima afirma-se como um espaço de continuidade, onde o passado não é cristalizado, mas compreendido, valorizado e transmitido. Aqui, a herança material cruza-se com o património imaterial: os saberes agrícolas, as práticas comunitárias, a oralidade, as memórias de trabalho e de festa, de escassez e de partilha. Tudo isso constrói uma identidade que permanece viva porque é cuidada e reinterpretada pelas gerações atuais. Este projeto nasce da vontade de preservar sem musealizar em excesso, de mostrar sem desvirtuar, de abrir portas sem perder autenticidade. A casa continua a ser casa; o lugar continua a ser vivido. O ecomuseu não se impõe ao território — emerge dele, respeitando a sua escala, o seu ritmo e o seu silêncio. O epílogo de Sanoane de Cima é, na verdade, um recomeço. Um compromisso com a memória, com a paisagem e com o futuro. Um convite à escuta atenta do lugar, à valorização do património rural e à compreensão de que a história não reside apenas nos grandes monumentos, mas também nas casas simples, nos gestos repetidos e na relação íntima entre pessoas e terra. Assim, a Casa de Sanoane de Cima permanece — não como relíquia, mas como testemunho vivo de um modo de habitar, de cuidar e de pertencer.

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