quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Decidir 2026: entre ficar, partir ou recomeçar
O ano de 2025 deixou marcas profundas na minha vida quotidiana. Foi um período em que me senti insuficiente, não por falta de entrega, mas pela sensação constante de que o amor deixou de ser o centro da relação. Em muitos momentos, pareceu-me que o interesse na união era maior do que o amor entre o casal. E quando isso acontece, o coração começa a pensar.
Sempre fui economicamente independente. Contribuí com grande parte das despesas do casal, enquanto a minha esposa vive com uma aposentadoria menor. Compreendo as dificuldades, compreendo também os problemas crescentes da família direta dela, que exigem ajuda constante. No entanto, numa relação em que os filhos não são comuns, a partilha de afetos, de prioridades e de decisões torna-se frágil. Por mais inteligente que ela seja, sinto que a minha presença passou a ser mais necessária pela segurança económica do que pelo valor emocional.
O mais duro é perceber que, mesmo contribuindo para todos — família, filhos, estabilidade — acabo por ser o último da lista. O último a receber atenção, carinho e consideração. Isso corrói silenciosamente.
Agora, diante de 2026, coloco três caminhos possíveis.
O primeiro é o divórcio e a ida para um lar, com conforto, rotina estável e tranquilidade material. Ganharia comodidade e previsibilidade, mas perderia parte da convivência social, da vida partilhada, do calor humano. É uma solução segura, mas solitária — e isso gera muitas dúvidas.
O segundo caminho é divorciar e tentar uma nova relação. É uma opção arriscada, porque depende de outra pessoa, das suas intenções e da sua verdade. Sei que existem pessoas interessadas, mas também interesseiras. Ainda assim, não posso negar que é um caminho possível, onde o amor genuíno ainda pode existir.
O terceiro caminho é ficar no meu canto, preservar a minha paz, a minha autonomia e a minha dignidade emocional. Talvez seja menos romântico, mas pode ser o mais honesto comigo mesmo neste momento. Aprender a viver bem comigo, sem carregar culpas que não são minhas.
Decidir 2026 não é escolher o caminho mais fácil, mas o mais justo comigo. Depois de um ano de dúvidas, a prioridade deixa de ser agradar os outros e passa a ser respeitar aquilo que sinto. Seja qual for a decisão, que ela seja guiada por dignidade, equilíbrio e amor-próprio. Porque uma vida partilhada só faz sentido quando não nos anula.
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