segunda-feira, 23 de março de 2026
– Serviço em território nacional
Capítulo 3 – Serviço em território nacional
Concluída a fase de formação, iniciou-se o serviço em território nacional, onde a teoria deu lugar à prática e à responsabilidade real no seio da estrutura militar.
No Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, assim como no Regimento de Artilharia de Penafiel e na carreira de tiro de Espinho, o quotidiano militar revelava-se exigente e multifacetado. Nos quartéis, existia uma organização rigorosa onde cada oficial assumia funções específicas e determinantes para o funcionamento global da unidade.
Os oficiais eram responsáveis por diversas áreas, desde a secretaria à manutenção militar e gestão de equipamentos, sempre articuladas com a instrução militar contínua. Esta instrução obrigava todos a estarem permanentemente preparados, garantindo que cada unidade mantinha a sua capacidade operacional, quer para a defesa, quer para o combate.
Enquanto responsável pela secretaria, destacava-se a elaboração do Jornal da Ordem Militar do quartel, documento essencial para a organização interna e disciplina da unidade. Esta função, associada à instrução militar, exigia rigor, organização e sentido de responsabilidade, contribuindo para o funcionamento harmonioso da estrutura militar em tempo de paz.
Capítulo 4 – Missão em África
A missão em África representou um dos períodos mais marcantes e exigentes de toda a vida militar.
No Centro de Instrução Militar do Morro Branco, em Cabo Verde, e posteriormente no Centro de Instrução Militar do Grafanil, em Luanda, Angola, o contexto alterou-se profundamente. A realidade da guerra impunha uma preparação constante e uma atenção permanente ao risco.
Integrado na Companhia de Artilharia 2671, agregada ao Batalhão nº 2911, na região da Lunda, em Henrique de Carvalho, assumiu funções de comando direto. Como responsável por um grupo de cerca de trinta homens, tinha a missão de garantir a segurança, a manutenção da ordem e a defesa do aquartelamento.
As tarefas incluíam também patrulhamentos em zonas determinadas, exigindo vigilância, disciplina e capacidade de decisão em situações de elevada tensão. Era um contexto onde a responsabilidade não era apenas operacional, mas também humana, envolvendo a liderança de homens em cenários de incerteza e perigo.
Esta experiência proporcionou um profundo amadurecimento pessoal. A convivência com a realidade da guerra, com os desafios diários e com a necessidade de liderança firme, marcou de forma indelével o seu caráter e visão do mundo.
Capítulo 5 – O regresso
O regresso ao Regimento de Artilharia da Serra do Pilar marcou o fim de um ciclo intenso e transformador.
Depois da experiência em África, o retorno trouxe consigo não apenas o reencontro com a normalidade, mas também uma nova consciência pessoal e profissional. A vivência da guerra deixou marcas profundas, traduzidas numa maior maturidade, sentido de responsabilidade e valorização da vida e dos outros.
A experiência acumulada, tanto no território nacional como no estrangeiro, contribuiu para uma transformação interior significativa. O jovem cadete que iniciara o percurso em 1969 dava lugar a um homem mais consciente, mais preparado e com uma visão mais ampla do mundo.
Este período encerra a fase militar ativa, mas deixa um legado duradouro: uma formação sólida, valores firmes e um espírito de missão que continuaria a orientar os passos seguintes da sua vida.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário