domingo, 4 de janeiro de 2026

Viver a vida do melhor modo que sei e do melhor que posso

Procuro viver a vida do melhor modo que sei e do melhor que posso, com consciência, equilíbrio e respeito por mim mesmo. Cuido da minha alimentação, escolhendo com atenção aquilo que me faz bem ao corpo e à mente, porque sei que a saúde começa nos pequenos hábitos diários. Dedico tempo a tratar das minhas plantas, acompanhando o seu crescimento com paciência, como quem aprende todos os dias a respeitar o ritmo da natureza. Nos momentos de descanso, vejo televisão, não apenas como distração, mas como pausa necessária para desacelerar. Faço as minhas caminhadas, que são mais do que exercício físico: são encontros comigo mesmo, com os caminhos, o ar livre e o silêncio que organiza os pensamentos. Levo comigo a máquina fotográfica para registar os passarinhos, esses pequenos mestres da liberdade, que me ensinam a observar com atenção e gratidão. Cuido da minha saúde de forma responsável, realizando consultas e exames de rotina nas diversas especialidades, prevenindo hoje para viver melhor amanhã. E, sempre que possível, planeio as minhas férias, momentos essenciais para renovar energias, conhecer outros lugares ou simplesmente descansar. Assim sigo, valorizando a simplicidade, o autocuidado e a tranquilidade, consciente de que viver bem não é viver depressa, mas viver com sentido.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Lembranças de Infância – As Jornadas do Campo em Bucos

Nos anos cinquenta, a vida em Bucos desenrolava-se ao ritmo das estações e ao compasso das grandes tarefas agrícolas. Eram tempos em que os campos e as eiras se enchiam de gente, de vozes, de força e de cumplicidade. Cada trabalho exigia mãos, braços, pulmões – e, sobretudo, união. Hoje era para mim, amanhã era para ti, e assim se vivia, num ciclo de ajuda mútua que sustentava famílias e fortalecia amizades.Nas lavradas, o campo transformava-se num pequeno exército organizado. Havia os picadores das seitas, que abriam o solo firme; o espalhador do estrume, que preparava a terra para a nova vida; o homem do arado, que guiava o ferro profundo; e o puxador do gado, que orientava as vacas na sua passada lenta e poderosa. Mas a figura mais marcante era o tocador — o homem de pulmão largo, voz aberta, que berrava para anunciar que havia lavrada grande. Em Bucos, esse papel cabia ao Sr. Avelino do Jerónimo, mestre na arte de se fazer ouvir pelas serras e vales. O seu brado ecoava longe e era quase um chamamento ancestral, que misturava trabalho, orgulho e tradição.Nas malhadas do centeio, o ritmo era outro: seco, firme, compassado. Os malhadores batiam a palha com força, e o barulho dos malhos tornava-se quase música, acompanhado pelas conversas altas que desafiavam o silêncio da aldeia. Ali, o som era prova de vigor, era sinal de que o trabalho ia andando, de que havia fartura para colher.Nas tarefas das batatas, surgiam os arrancadores e as apanhadeiras, cada qual no seu gesto repetido mas essencial. Era trabalho duro, de muita dobra de costas, de terra nas mãos e pó nos rostos, mas também de companhia e partilha.E depois vinham as desfolhadas, talvez as mais alegres de todas. O trabalho ali era leve, quase festivo. Entre mãos ágeis que libertavam as espigas, surgiam as cantorias, as risadas e a expectativa do milho-rei, que trazia brincadeiras e pequenas cumplicidades. Nesses serões, havia menos esforço e mais convivência; as pessoas ficavam mais perto umas das outras, literalmente e no coração.

A Figueira Centenária da Casa de Sanoane de Cima

Na Casa de Sanoane de Cima vivia o menino Miguel, um menino curioso, de olhos castanhos e coração alegre. A casa rural era antiga, feita de pedra, cheia de histórias guardadas nas paredes. Mas o maior tesouro não estava dentro da casa — estava ao lado.Ali cresceu uma grande figueira centenária, tão velha que parecia ter visto passar por muitas gerações. Os seus ramos frondosos estendiam-se sobre a rechã de Sanoane, como se fossem braços abertos a proteger a casa, as pessoas e os caminhos. No tempo de São João, a figueira enchia-se de figos brancos, doces e macios. Miguel gostava de acordar cedo e correr para junto da figueira, onde os pássaros faziam festa. Pardais, melros e rolas vinham provar os figos maduros, cantando alegremente, como se agradecessem à árvore generosamente. Os pais de Miguel, António José e Luísa, observavam-no da porta da casa. Sorriam ao ver o filho subir com cuidado para os ramos mais baixos, sempre com respeito pela figueira, como o pai lhe ensinou. — Esta figueira é nossa amiga, disse António José. — E também é casa de muitos pássaros, acrescenta Luísa. À tarde, quando as pessoas passavam pelo caminho, paravam à sombra da figueira para descansar. Alguns colhiam figos, outros apenas admiravam a frescura e a beleza da árvore. A figueira parecia gostar de todos, oferecendo sombra, frutos e silêncio bom. Miguel acreditava que a figueira falava com o vento. Quando os ramos se mexiam lentamente, ele sentiu que a árvore contava histórias antigas da Casa de Sanoane de Cima, de crianças que ali brincaram e de famílias que ali viveram. E assim, entre a casa, os pais e a figueira centenária, Miguel cresceu feliz, aprendendo que a natureza é família, que as árvores guardam memórias e que os lugares simples podem ser mágicos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Casa de Sanoane de Cima e o Capitão de Abril, Sousa e Castro

A ligação do Capitão Sousa e Castro à Casa de Sanoane de Cima remonta a 1969, muito antes de o seu nome ficar associado ao Conselho da Revolução e ao papel de porta-voz da Junta Militar após o 25 de Abril de 1974. Foi nesse ano que o então cadete, e mais tarde Alferes de Artilharia, Manuel Braz frequentou a Escola Prática de Artilharia – Escola de Cadetes – em Vendas Novas, instituição da República Portuguesa. Hoje, Manuel Braz é proprietário da Casa de Sanoane de Cima, lugar onde a memória pessoal e a história coletiva se cruzam. Mais tarde, já promovido a Capitão de Artilharia, Sousa e Castro foi colocado no Regimento de Artilharia de Torres Novas. Aí conheceu Maria Alice Brás, irmã de Manuel Braz, que se apoiaram durante a permanência naquela cidade. Maria Alice encontrava-se colocada na Escola Preparatória local, vinda da Universidade de Coimbra, num tempo em que os percursos profissionais e pessoais se iam traçando entre mudanças e incertezas. Os caminhos da vida acabariam por se desencontrar. O Capitão Sousa e Castro seguiu para Moçambique, integrado num batalhão de artilharia, enquanto o Alferes Manuel Braz partia para Cabo Verde e, posteriormente, para Angola, numa companhia de artilharia, participando na guerra de guerrilha que marcou o fim do ciclo colonial português em Angola, Moçambique e Cabo Verde. O destino, contudo, voltou a aproximá-los anos depois, na participação de apoio a Maria de Lourdes Pintassilgo, candidata à Presidência da República Portuguesa em 1986. Nesse contexto, os encontros tornaram-se frequentes, retomando-se laços antigos, agora num tempo diferente, marcado pela democracia e pela participação cívica. Desde então, a Casa de Sanoane de Cima tem recebido, de forma pontual, a visita de Sousa e Castro. A mais recente foi inesperada, mas profundamente agradecida, pela importância simbólica e histórica do momento. Cada visita é mais do que um reencontro pessoal: é a reafirmação de uma ligação que atravessa décadas, regimes políticos e geografias, unindo memórias individuais à história viva de Portugal.

A Visita do Capitão Sousa e Castro, Hoje Coronel na Reserva, à Casa de Sanoane de Cima

Passagem de Ano e Dia de Ano Novo de 2026 Na passagem do ano e no primeiro dia de 2026, a Casa de Sanoane de Cima abriu as suas portas à memória viva da História. O Capitão Sousa e Castro, porta-voz do Conselho da Revolução do 25 de Abril de 1974, visitou esta casa tradicional, carregada de tempo, de culturas e de encontros, onde o passado e o presente dialogam em silêncio respeitoso. A Casa de Sanoane de Cima, construída em pedra antiga e moldada pelo trabalho de várias gerações, sempre foi mais do que uma habitação. É um lugar de acolhimento, de diversidade e de partilha multicultural, onde se cruzam histórias rurais, saberes populares, vozes de diferentes origens e uma profunda ligação à terra e à liberdade de pensamento. A presença do Capitão Sousa e Castro, neste tempo de renovação simbólica que é a passagem de ano, trouxe à casa o eco do 25 de Abril: os valores da liberdade, da democracia, da dignidade humana e da esperança num futuro mais justo. À volta da mesa, junto à lareira e nos espaços abertos da eira, falou-se de memória, de responsabilidade coletiva e da importância de transmitir às novas gerações o sentido profundo da Revolução dos Cravos. No Dia de Ano Novo, a visita ganhou um carácter ainda mais simbólico. Entre brindes contidos e palavras serenas, ficou a certeza de que a liberdade não é um acontecimento fechado no passado, mas uma construção diária, feita em lugares simples como esta casa, onde o diálogo, o respeito e a convivência são práticas vivas. Assim, a Casa de Sanoane de Cima afirmou-se, uma vez mais, como um espaço de memória e futuro: uma casa tradicional, multicultural e aberta, onde a História encontra o presente e inspira o caminho de 2026 e dos anos que hão de vir.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A Casa de Sanoane de Cima e o Cruzeiro do Ano Novo

Era uma vez, na pequena e acolhedora aldeia de Bucos, a casa de Sanoane de Cima, uma casa antiga de pedra onde o menino Lourenço com os seus pais, Daniel e Elisa, passava o Ano Novo. A casa ficava no alto da aldeia e, mesmo ao lado, erguia-se um velho cruzeiro de pedra, que ali estava há muitos e muitos anos, guardando histórias e segredos do tempo. Na quadra de Ano Novo o frio fazia-se sentir. As noites eram longas, mas dentro da casa de Sanoane de Cima havia sempre calor, a lareira acesa, cheiros bons e risos. Elisa preparava sonhos polvilhados com açúcar, enquanto Daniel acendia a lareira e contava histórias antigas ao pequeno Lourenço. Lourenço gostava especialmente do cruzeiro junto da casa. O pai dizia-lhe que ele protegia a aldeia e trazia bons desejos para quem passava por ali com o coração cheio de esperança. Na tarde do último dia do ano, Lourenço pediu aos pais para irem os três até ao cruzeiro. — Quero pedir um desejo para o Ano Novo — disse ele, com os olhos a brilhar. Os três caminharam devagar, bem agasalhados. Quando chegaram ao cruzeiro, o vento soprou suavemente, como se estivesse a ouvir. Lourenço fechou os olhos e desejou que a sua família fosse sempre feliz e que nunca faltasse alegria naquela casa de Sanoane de Cima. À meia-noite, já de volta a casa, ouviram-se sinos ao longe e o céu encheu-se de estrelas. Daniel e Elisa abraçaram Lourenço, certos de que aquele Ano Novo começava com amor, união e esperança. E assim, entre a casa, o cruzeiro e o carinho da família, Sanoane de Cima recebeu mais um ano cheio de luz.

Decidir 2026: entre ficar, partir ou recomeçar

O ano de 2025 deixou marcas profundas na minha vida quotidiana. Foi um período em que me senti insuficiente, não por falta de entrega, mas pela sensação constante de que o amor deixou de ser o centro da relação. Em muitos momentos, pareceu-me que o interesse na união era maior do que o amor entre o casal. E quando isso acontece, o coração começa a pensar. Sempre fui economicamente independente. Contribuí com grande parte das despesas do casal, enquanto a minha esposa vive com uma aposentadoria menor. Compreendo as dificuldades, compreendo também os problemas crescentes da família direta dela, que exigem ajuda constante. No entanto, numa relação em que os filhos não são comuns, a partilha de afetos, de prioridades e de decisões torna-se frágil. Por mais inteligente que ela seja, sinto que a minha presença passou a ser mais necessária pela segurança económica do que pelo valor emocional. O mais duro é perceber que, mesmo contribuindo para todos — família, filhos, estabilidade — acabo por ser o último da lista. O último a receber atenção, carinho e consideração. Isso corrói silenciosamente. Agora, diante de 2026, coloco três caminhos possíveis. O primeiro é o divórcio e a ida para um lar, com conforto, rotina estável e tranquilidade material. Ganharia comodidade e previsibilidade, mas perderia parte da convivência social, da vida partilhada, do calor humano. É uma solução segura, mas solitária — e isso gera muitas dúvidas. O segundo caminho é divorciar e tentar uma nova relação. É uma opção arriscada, porque depende de outra pessoa, das suas intenções e da sua verdade. Sei que existem pessoas interessadas, mas também interesseiras. Ainda assim, não posso negar que é um caminho possível, onde o amor genuíno ainda pode existir. O terceiro caminho é ficar no meu canto, preservar a minha paz, a minha autonomia e a minha dignidade emocional. Talvez seja menos romântico, mas pode ser o mais honesto comigo mesmo neste momento. Aprender a viver bem comigo, sem carregar culpas que não são minhas. Decidir 2026 não é escolher o caminho mais fácil, mas o mais justo comigo. Depois de um ano de dúvidas, a prioridade deixa de ser agradar os outros e passa a ser respeitar aquilo que sinto. Seja qual for a decisão, que ela seja guiada por dignidade, equilíbrio e amor-próprio. Porque uma vida partilhada só faz sentido quando não nos anula.