segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Agradecimento Livro de Manuel Braz - Professor, Militar, Diplomata

Caros Amigos, Querida Família, A realização deste livro é o reflexo de uma longa caminhada que nunca fiz sozinho. Olhar para trás e ver as marcas que deixei como militar, professor, autarca e diplomata é, acima de tudo, reconhecer a presença constante daqueles que me sustentaram, guiaram e apoiaram em cada uma destas missões.A minha profunda gratidão estende-se a quem partilhou comigo as exigências e as honras do serviço público: Na vida militar, ao meu Comandante de Pelotão da Escola Prática de Artilharia, Coronel na Reserva Rodrigo Sousa Castro, pela liderança, camaradagem e pelos ensinamentos de rigor e disciplina que moldaram o meu caráter para todas as batalhas que se seguiram. No Ministério da Educação, ao então Diretor-Geral da Educação de Adultos em 1976, Manuel Lucas Estevão, pelo voto de confiança, pela visão partilhada e pelo apoio institucional que foram determinantes para o bom cumprimento das nossas exigentes funções letivas e pedagógicas. Na autarquia, a Joaquim Barreto, pela parceria fundamental, pelo espírito de missão em prol da comunidade e pelo trabalho no desenvolvimento local, que tanto me orgulha. No Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Secretário de Estado António Braga, pela orientação superior, pela confiança depositada no desempenho das funções diplomáticas e pela forma como representámos o nosso país. Aos meus amigos, em espeial ao José Francisco Moura Bastos, que a vida generosamente me colocou no caminho: obrigado pela vossa lealdade inabalável e pelas conversas partilhadas nos momentos de decisão. À minha família, o meu porto de abrigo mais seguro e a minha maior certeza: obrigado pelo amor paciente, pelo apoio nos dias de ausência e por partilharem comigo o peso e a honra das minhas responsabilidades. Se servi com dedicação, foi porque sempre soube para quem regressar. A todos vós, que tornaram esta jornada possível, o meu mais profundo e sincero obrigado.

A MINHA PRIMEIRA JORNADA COMO PROFESSOR

PARTE III – A MINHA JORNADA COMO PROFESSOR Capítulo 6 – O meu início na educação O meu começo como professor O ano de 1975 marcou uma nova etapa na minha vida. Depois do percurso militar e de todas as experiências que essa fase me proporcionou, encontrei na educação um novo caminho de serviço à comunidade. Foi nesse ano que iniciei a minha atividade como professor do ensino primário, uma profissão que viria a ocupar um lugar muito especial na minha vida e a definir grande parte do meu percurso profissional e humano. Comecei a ensinar num período particularmente importante da história de Portugal. O país vivia profundas transformações sociais e políticas, e a educação era chamada a desempenhar um papel essencial na construção de uma sociedade mais esclarecida, mais participativa e mais justa. Foi nesse contexto que abracei a missão de ensinar. Mais do que transmitir conhecimentos, compreendi desde cedo que ser professor significava estar próximo das pessoas, conhecer as suas dificuldades, compreender as suas esperanças e acreditar nas capacidades de cada aluno. A escola não podia ser apenas um lugar onde se aprendia a ler, a escrever e a contar. Tinha de ser também um espaço de descoberta, de dignidade, de formação humana e de preparação para a vida. O meu compromisso com a alfabetização Uma das experiências que mais profundamente marcou os primeiros anos da minha carreira foi o trabalho desenvolvido no domínio da alfabetização. Entre 1975 e 1976, no Porto, tive contacto com homens e mulheres que, por diferentes razões, não tinham tido oportunidade de aprender a ler e a escrever na infância. Eram pessoas trabalhadoras, muitas delas com uma vida inteira de esforço, mas que carregavam consigo a limitação de não dominar uma competência que hoje consideramos fundamental. Ensinar um adulto a ler e a escrever era, para mim, muito mais do que ensinar letras e palavras. Era abrir uma porta. Recordo a emoção de ver alguém conseguir, pela primeira vez, ler uma frase sozinho, escrever o próprio nome ou compreender uma mensagem que antes não conseguia decifrar. Pequenas conquistas para quem já sabia ler, mas enormes vitórias para quem tinha vivido durante anos dependente dos outros. Foi aí que compreendi verdadeiramente que a educação pode transformar uma vida. Cada aluno tinha a sua história, as suas dificuldades e o seu ritmo. Por isso, procurei sempre adaptar o ensino às pessoas e não obrigar as pessoas a adaptar-se a um modelo rígido de ensino. Aprendi que a paciência, a proximidade e a confiança eram tão importantes como os próprios métodos pedagógicos. A alfabetização ensinou-me também uma grande lição: ninguém deve ser considerado incapaz de aprender. Muitas vezes, aquilo que parecia falta de capacidade era apenas falta de oportunidade. Bastava alguém acreditar, incentivar e acompanhar. Ensinar era também aprender Os meus primeiros anos como professor ensinaram-me tanto como os meus alunos. Aprendi a ouvir, a observar e a compreender. Aprendi que cada pessoa traz consigo uma experiência de vida que merece ser respeitada. Aprendi que o professor não está acima do aluno, mas ao seu lado, ajudando-o a descobrir aquilo de que é capaz. A minha passagem pelo ensino primário foi, por isso, o início de uma longa relação com a educação. Uma relação que ultrapassaria a sala de aula e me levaria, posteriormente, a assumir responsabilidades de coordenação, orientação e formação de adultos. Olho hoje para esse período com particular carinho. Eu estava a começar uma nova etapa da minha vida, mas talvez ainda não tivesse consciência de quanto a educação viria a marcar o meu caminho. O professor que comecei a ser em 1975 foi-se construindo através das pessoas que encontrei, das dificuldades que enfrentei e das pequenas vitórias que fui testemunhando. Foi também nesse primeiro contacto com a escola que consolidei uma convicção que me acompanharia durante toda a minha vida profissional: educar é servir, é acreditar no outro e é ajudar cada pessoa a descobrir que pode ir mais longe. Foi com esse espírito que iniciei a minha jornada como professor. PARTE III – A MINHA JORNADA COMO PROFESSOR Capítulo 6 – O meu início na educação O meu começo como professor O ano de 1975 marcou uma nova etapa na minha vida. Depois do percurso militar e de todas as experiências que essa fase me proporcionou, encontrei na educação um novo caminho de serviço à comunidade. Foi nesse ano que iniciei a minha atividade como professor do ensino primário, uma profissão que viria a ocupar um lugar muito especial na minha vida e a definir grande parte do meu percurso profissional e humano. Comecei a ensinar num período particularmente importante da história de Portugal. O país vivia profundas transformações sociais e políticas, e a educação era chamada a desempenhar um papel essencial na construção de uma sociedade mais esclarecida, mais participativa e mais justa. Foi nesse contexto que abracei a missão de ensinar. Mais do que transmitir conhecimentos, compreendi desde cedo que ser professor significava estar próximo das pessoas, conhecer as suas dificuldades, compreender as suas esperanças e acreditar nas capacidades de cada aluno. A escola não podia ser apenas um lugar onde se aprendia a ler, a escrever e a contar. Tinha de ser também um espaço de descoberta, de dignidade, de formação humana e de preparação para a vida. O meu compromisso com a alfabetização Uma das experiências que mais profundamente marcou os primeiros anos da minha carreira foi o trabalho desenvolvido no domínio da alfabetização. Entre 1975 e 1976, no Porto, tive contacto com homens e mulheres que, por diferentes razões, não tinham tido oportunidade de aprender a ler e a escrever na infância. Eram pessoas trabalhadoras, muitas delas com uma vida inteira de esforço, mas que carregavam consigo a limitação de não dominar uma competência que hoje consideramos fundamental. Ensinar um adulto a ler e a escrever era, para mim, muito mais do que ensinar letras e palavras. Era abrir uma porta. Recordo a emoção de ver alguém conseguir, pela primeira vez, ler uma frase sozinho, escrever o próprio nome ou compreender uma mensagem que antes não conseguia decifrar. Pequenas conquistas para quem já sabia ler, mas enormes vitórias para quem tinha vivido durante anos dependente dos outros. Foi aí que compreendi verdadeiramente que a educação pode transformar uma vida. Cada aluno tinha a sua história, as suas dificuldades e o seu ritmo. Por isso, procurei sempre adaptar o ensino às pessoas e não obrigar as pessoas a adaptar-se a um modelo rígido de ensino. Aprendi que a paciência, a proximidade e a confiança eram tão importantes como os próprios métodos pedagógicos. A alfabetização ensinou-me também uma grande lição: ninguém deve ser considerado incapaz de aprender. Muitas vezes, aquilo que parecia falta de capacidade era apenas falta de oportunidade. Bastava alguém acreditar, incentivar e acompanhar. Ensinar era também aprender Os meus primeiros anos como professor ensinaram-me tanto como os meus alunos. Aprendi a ouvir, a observar e a compreender. Aprendi que cada pessoa traz consigo uma experiência de vida que merece ser respeitada. Aprendi que o professor não está acima do aluno, mas ao seu lado, ajudando-o a descobrir aquilo de que é capaz. A minha passagem pelo ensino primário foi, por isso, o início de uma longa relação com a educação. Uma relação que ultrapassaria a sala de aula e me levaria, posteriormente, a assumir responsabilidades de coordenação, orientação e formação de adultos. Olho hoje para esse período com particular carinho. Eu estava a começar uma nova etapa da minha vida, mas talvez ainda não tivesse consciência de quanto a educação viria a marcar o meu caminho. O professor que comecei a ser em 1975 foi-se construindo através das pessoas que encontrei, das dificuldades que enfrentei e das pequenas vitórias que fui testemunhando. Foi também nesse primeiro contacto com a escola que consolidei uma convicção que me acompanharia durante toda a minha vida profissional: educar é servir, é acreditar no outro e é ajudar cada pessoa a descobrir que pode ir mais longe. Foi com esse espírito que iniciei a minha jornada como professor.

sábado, 5 de setembro de 2026

Memórias do Jogo do Pau de Manuel Braz, Militar, Professor, Diplomata, Bucos, Cabeceiras de Basto

Nasci na aldeia serrana de Bucos, no ano de 1947. Foi ali que cresci e guardei as páginas mais bonitas da minha infância. Entre 1954 e 1959, enquanto a minha vida se dividia entre os quadros e os livros da escola primária de Bucos, descobri outra sala de aula, mas esta ao ar livre: a escola do Jogo do Pau.Durante quatro anos, a minha formação fez-se também com o varapau na mão. Fui aluno do estimado Mestre Ernesto dos Santos, uma figura profundamente marcante. Era um homem generoso e brincalhão, que sabia como ninguém cativar a atenção dos miúdos, mas que não abria mão do rigor quando o assunto era a aprendizagem daquela arte. Para os treinos, usávamos paus feitos de madeira de "lodo" (lódão), o material ideal por ser forte e flexível, o que impedia que os paus partissem tão facilmente com a força dos impactos. Como a escola não era obrigatória, as manhãs de domingo ganhavam uma dinâmica muito própria. À medida que chegávamos ao largo da Rechada, íamos aguardando pelos restantes colegas e alunos. Enquanto o grupo não estava completo, começávamos logo a aquecer com o jogo da cruz.Assim que reuníamos um bom número de alunos, o Mestre Ernesto dava início formal aos trabalhos mais exigentes. Começávamos pelos jogos de pancadas da cabeça, praticando no confronto direto de um contra um. Depois, a fasquia subia e passávamos para os exigentes jogos do meio. Era aí que a agilidade e a técnica eram postas à prova, em combates de um contra dois, um contra três e até um contra quatro. No limite do treino, fazíamos o jogo do meio puro: vários jogadores ao mesmo tempo contra um único homem, que se defendia de todas as direções. Dediquei-me a esta aprendizagem com orgulho, pois sabia perfeitamente que estava a guardar algo precioso. Fazer parte daquela escola era honrar uma prática cultural única e profundamente original da nossa freguesia. Aqueles domingos de sol ou de frio no largo da Rechada moldaram o meu caráter e deixaram-me uma herança que o tempo nunca vai apagar: o orgulho de pertencer a Bucos e às suas tradições.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Conclusão do livro de Manuel Braz - Militar, Professor, Diplomata. Uma Vida

Manuel Braz uma vida ao serviço da pátria, da educação e da comunidade; miliar por dever, professor por vocação, autarca por compromisso e diplomata por missão, constitui uma vida marcada pela dedicação, pelo serviço público e profunda ligação às suas raízes e à sua terra. Manuel Braz, Militar, Professor, Diplomata — Uma Vida ao Serviço da Pátria, da Educação e da Comunidade A vida de Manuel de Oliveira Henriques Braz pode ser entendida como uma longa caminhada feita de serviço, dedicação e compromisso. Uma caminhada que começou nas raízes profundas de Bucos, em Cabeceiras de Basto, e que o levou por diferentes caminhos — sempre com a mesma determinação de servir, aprender, ensinar e contribuir para o bem dos outros. Militar por dever, professor por vocação, autarca por compromisso e diplomata por missão, Manuel Braz construiu uma vida marcada pelo serviço público, pela responsabilidade e por uma profunda ligação às suas origens. Como militar, cumpriu o seu dever para com a Pátria num período particularmente exigente da história portuguesa. Viveu a experiência das Forças Armadas, conheceu a disciplina, a camaradagem, a responsabilidade e os desafios de uma geração chamada a servir longe da sua terra. A experiência militar deixou-lhe valores que haveriam de acompanhá-lo ao longo de toda a vida: o sentido do dever, a lealdade, a coragem e a capacidade de enfrentar dificuldades. Terminada essa etapa, encontrou na educação uma nova forma de servir. Foi professor por vocação, acreditando que ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimentos. Ensinar era abrir caminhos, despertar capacidades, dar confiança e oferecer a cada pessoa instrumentos para construir o seu próprio futuro. Ao longo da sua carreira dedicou-se ao ensino e à educação de adultos, à alfabetização e à divulgação da língua portuguesa. Mais tarde, levou essa missão para além das fronteiras de Portugal, ensinando português a comunidades portuguesas no estrangeiro e desempenhando funções ligadas à representação e ao apoio social dos portugueses. A escola foi, para Manuel Braz, muito mais do que um local de trabalho. Foi um espaço de encontro humano, de formação e de transformação. Nela aprendeu que cada aluno traz consigo uma história, uma família, dificuldades, sonhos e possibilidades. E que um professor pode deixar marcas que permanecem muito para além dos anos escolares. A sua ligação à vida pública levou-o também à política autárquica, onde assumiu o compromisso de servir a sua terra. Como autarca, procurou colocar a experiência adquirida ao longo da vida ao serviço da comunidade. Conhecia as dificuldades do mundo rural, as necessidades das populações e a importância de preservar a identidade das freguesias e do concelho. Para ele, ser autarca significava estar próximo das pessoas, ouvir os seus problemas e procurar respostas. O poder local era, na sua visão, uma das formas mais concretas de serviço público, porque é junto das populações que as decisões políticas ganham rosto e significado. Mais tarde, a sua experiência conduziu-o ao exercício de funções como diplomata e representante de Portugal, levando consigo não apenas a responsabilidade institucional, mas também o orgulho das suas origens. Onde quer que estivesse, Manuel Braz nunca deixou de ser o homem de Bucos, ligado à sua terra, às suas gentes, às suas memórias e aos valores que recebeu da família e da comunidade onde nasceu. A dimensão internacional da sua vida não apagou as suas raízes. Pelo contrário, reforçou nelas a sua identidade. Porque há pessoas que partem da sua terra para conhecer o mundo, mas levam a terra consigo. Manuel Braz pertence a essa geração. Viveu e trabalhou fora, conheceu outras culturas e outras realidades, mas nunca deixou de olhar para Bucos como o lugar onde tudo começou. É nessa ligação às origens que se encontra uma das características mais marcantes da sua personalidade. A Casa de Sanoane de Cima, a paisagem da Serra da Cabreira, as memórias familiares, as tradições, as pessoas e a história de Bucos constituem não apenas recordações, mas parte integrante da sua identidade. Ao longo dos anos, entre a vida militar, a educação, a administração pública, a ação autárquica e a representação diplomática, permaneceu uma constante: a vontade de servir. Servir a Pátria quando o dever o chamou. Servir a educação quando escolheu ser professor. Servir a comunidade quando assumiu responsabilidades autárquicas. Servir Portugal quando desempenhou funções no estrangeiro. E servir a sua terra sempre que regressou às suas raízes. A sua vida revela, assim, uma ideia simples, mas profunda: o valor de uma existência não se mede apenas pelos cargos que se ocupam, mas sobretudo pelas pessoas que se ajudam, pelos valores que se defendem e pelo legado que se deixa.