sábado, 7 de novembro de 2026
A Avifauna na Casa de Sanoane de Cima, Bucos
A vida na Casa de Sanoane de Cima, em Bucos, Cabeceiras de Basto, desenha-se diariamente ao ritmo e ao canto das muitas aves que fazem da propriedade o seu refúgio. Cada canto do jardim, cada árvore e cada parede guardam uma história de convivência perfeita entre a ruralidade da casa agrícola e a simplicidade da vida selvagem.
Logo pela manhã, a rotina começa junto à água. À volta do tanque, a ágil lavandisca repete o seu ritual diário, caminhando e observando com atenção para pescar os pequenos insetos que caíram na superfície durante a noite.
No solo fresco do jardim, o movimento é constante. O melro de bico amarelo partilha o terreno com a pacata rola, o pombo, a imponente poupa e os pequenos pardais, todos empenhados na busca minuciosa por alimento entre a erva.
As velhas paredes da casa servem de porto seguro para o pedreiro,(chasco) que ali faz os seus pousos estratégicos, vigiando o horizonte. Já nos muros que delimitam o terreno, é a minúscula e viva carriça que encontra o seu abrigo ideal, esgueirando-se entre as pedras.
Quando chega o tempo dos figos, as figueiras próximas da casa transformam-se num autêntico banquete e num festival de cores e sons. O gaio, o melro, o estorninho, o tordo e o vistoso papa-figos disputam os frutos mais maduros, acompanhados de quando em vez pelo verdilhão e pelo persistente pardal.
Nas árvores em redor, o som compassado do pica-pau-verde ecoa pelos troncos, enquanto nos céus as andorinhas cruzam o ar com voos velozes e rasantes, enchendo o espaço de vida antes de prepararem a sua partida.
Embora o cenário atual seja de uma enorme biodiversidade, a memória viaja inevitavelmente até aos tempos de infância, trazendo a doce recordação de espécies que outrora eram presença assídua e marcante por aqui, como o vibrante pintassilgo, o afável pisco-de-peito-ruivo e a discreta toutinegra. Fica o registo desta fauna magnífica, que continua a escrever o presente da Casa Rural de Sanoane de Cim
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