sexta-feira, 26 de junho de 2026
A Voz da Serra da Cabreira e a Igreja de São João Batista de Bucos
A Serra da Cabreira tem uma voz antiga. É uma voz que atravessa montes, vales e gerações, levando consigo a memória dos lugares onde a fé, a história e a vida caminham de mãos dadas. Entre esses lugares ergue-se, com dignidade e serenidade, a Igreja de São João Batista de Bucos.
Conta a tradição que, muito antes da igreja que hoje conhecemos, existia ali uma pequena capela da Casa de Sanoane. Simples e acolhedora, reunia os habitantes da freguesia para a oração, para os sacramentos e para os momentos mais importantes da vida comunitária, quando a freguesia pertencia à pastoral da Igreja de S Nicolau.
O tempo passou, a população cresceu e a antiga capela deu lugar a um templo mais amplo e mais digno. No ano de 1877, a nova Igreja de São João Batista assumiu o seu lugar como centro espiritual da comunidade, tornando-se um símbolo da fé e da união do povo de Bucos.
Ao entrar pela porta principal, o olhar é naturalmente conduzido para o altar-mor, dedicado ao padroeiro, São João Batista. É ali que a igreja encontra o seu coração, recordando aquele que preparou os caminhos para Cristo e cuja vida continua a inspirar gerações de fiéis.Nos altares laterais encontra-se igualmente uma profunda expressão da devoção popular. Um deles é dedicado a Nossa Senhora do Rosário, cuja proteção tantas famílias invocaram ao longo dos séculos. Outro honra o Sagrado Coração de Jesus, símbolo do amor infinito e da misericórdia divina. O terceiro é consagrado a Nossa Senhora da Soledade, também conhecida por Nossa Senhora da Defesa, invocada como mãe protetora e consoladora do povo de Bucos.
Ao lado da igreja ergue-se a torre sineira, preservando a sua traça original. Os seus sinos marcaram o ritmo da vida da freguesia: anunciaram festas, chamaram para a oração, celebraram casamentos, choraram despedidas e acompanharam cada geração que nasceu e viveu sob o olhar da Serra da Cabreira. A antiga escadaria da torre, percorrida ao longo de tantos anos, continua a testemunhar a dedicação daqueles que fizeram ecoar a voz dos sinos por todo o vale.
Em redor da igreja estende-se o adro, que durante muito tempo foi o primitivo cemitério da freguesia. A terra que rodeia o templo guarda o repouso de inúmeras gerações de habitantes de Bucos. Cada sepultura representa uma história, uma família, uma vida de trabalho, de fé e de esperança.Entre esses túmulos destaca-se um de especial significado para a história local: o jazigo da Casa de Sanoane de Cima. Foi mandado construir por Manuel Joaquim Henriques Basto para receber os restos mortais de seu pai, José Henriques Basto, perpetuando a memória de uma família profundamente ligada à terra, à freguesia e à sua igreja. Esse monumento funerário permanece como sinal de respeito pelos antepassados e como testemunho da ligação entre a Casa de Sanoane de Cima e a comunidade de Bucos.
Junto ao templo encontra-se também a Casa do Senhor, edifício que ao longo dos anos tem servido de apoio à vida paroquial. Ali realizam-se encontros de catequese, reuniões e diversas atividades que fortalecem os laços entre as famílias e mantêm viva a missão evangelizadora da paróquia.
Quando o vento da Serra da Cabreira passa pela torre dos sinos e percorre o adro silencioso, parece despertar as memórias guardadas nas pedras centenárias da igreja. É como se cada sino, cada altar, cada túmulo e cada parede contassem uma parte da história de Bucos.Porque a Igreja de São João Batista não é apenas um edifício de pedra. É um livro vivo da comunidade. Nela ficaram gravados os batismos, os casamentos, as despedidas, as festas, as procissões e as orações de incontáveis gerações.
Ao longo dos séculos XX e das primeiras décadas do século XXI, a vida religiosa da freguesia de Bucos ficou marcada pelo ministério dedicado de três sacerdotes que acompanharam gerações de paroquianos, celebrando os momentos mais importantes da vida da comunidade e preservando a identidade cristã da paróquia.
O primeiro desses sacerdotes foi o Padre Adão de Moura, natural da freguesia de Atei, no concelho de Mondim de Basto. Chegou a Bucos por volta de 1908, assumindo a orientação espiritual da paróquia numa época de profundas transformações sociais e políticas em Portugal. Durante mais de seis décadas exerceu o seu ministério com dedicação, tornando-se uma figura profundamente respeitada e acarinhada pela população. Permaneceu ao serviço da freguesia até ao seu falecimento, em 1969, deixando uma marca indelével na história religiosa de Bucos.
Após a morte do Padre Adão de Moura, a assistência pastoral foi assegurada pelo Padre Evaristo, reverendo da freguesia de São Nicolau, concelho de Cabeceiras de Basto. Embora por um período relativamente curto, garantiu a continuidade da vida paroquial, acompanhando a comunidade entre 1969 e agosto de 1973, numa fase de transição para um novo pároco.
Em agosto de 1973, foi nomeado pároco de Bucos o Padre Avelino Vilela, natural de Gontim, Concalho de Fafe, iniciando um dos mais longos ministérios sacerdotais da história do concelho. Desde então, tem dedicado a sua vida ao serviço da comunidade, acompanhando sucessivas gerações de habitantes de Bucos na celebração dos sacramentos, na catequese, nas festas religiosas e na vivência da fé cristã. Ao longo de mais de cinco décadas de presença contínua na paróquia, o Padre Avelino Vilela tornou-se uma referência humana, espiritual e pastoral para toda a freguesia.
Em julho de 2026, contabilizam-se cerca de 53 anos de ministério paroquial em Bucos, testemunhando uma extraordinária estabilidade pastoral. A sua presença constante permitiu acompanhar a evolução da freguesia, mantendo viva a tradição religiosa e fortalecendo os laços entre a Igreja e a comunidade.
Assim, a história pastoral de Bucos ao longo de mais de um século pode ser compreendida através do serviço destes três sacerdotes: o longo e dedicado ministério do Padre Adão de Moura, a continuidade assegurada pelo Padre Evaristo durante o período de transição e a notável permanência do Padre Avelino Vilela, que continua, em julho de 2026, a exercer o seu ministério ao serviço da freguesia de São João Batista de Bucos.
E a voz da Serra continua a repetir, suavemente, que enquanto houver quem preserve esta herança e conte a sua história, a Igreja de São João Batista de Bucos continuará a ser muito mais do que um monumento: será a alma de um povo, guardando o passado, iluminando o presente e transmitindo esperança às gerações futuras.
PS: Novo Pároco para a Paróquia de São João Batista de Bucos
Hoje, domingo, 19 de julho de 2026, através de comunicado oficial do Arcebispado de Braga, foi tornado público que o Padre Rui Filipe Araújo foi nomeado novo pároco da Paróquia de São João Batista de Bucos, tendo como seu coadjutor o Padre Diogo António Antunes.
A comunidade paroquial acolhe esta nomeação com espírito de fé, comunhão e esperança, desejando aos dois sacerdotes as maiores bênçãos no exercício da missão pastoral que brevemente irão assumir entre nós. Que São João Batista, padroeiro da nossa paróquia, os inspire e fortaleça no serviço ao povo de Deus, promovendo uma Igreja próxima, fraterna e missionária.
Esta nomeação marca igualmente o termo da missão pastoral do Padre Avelino Vilela à frente da nossa comunidade, ficando agora libertado das responsabilidades de pároco de Bucos para prosseguir o ministério sacerdotal noutras funções que lhe venham a ser confiadas pela Arquidiocese.
A comunidade de Bucos manifesta ao Padre Avelino um profundo reconhecimento pela dedicação, disponibilidade e serviço prestados ao longo dos anos em que acompanhou espiritualmente os seus paroquianos, presidindo à celebração dos sacramentos, animando a vida pastoral e partilhando os momentos mais significativos da vida da freguesia. O seu contributo permanecerá na memória da comunidade, que lhe deseja saúde, serenidade e abundantes graças de Deus para a continuação da sua missão sacerdotal.
À medida que se aproxima a tomada de posse dos novos responsáveis pastorais, a Paróquia de São João Batista de Bucos prepara-se para os receber com alegria, colaboração e espírito de unidade, confiando que esta nova etapa será vivida sob o amparo de Deus e a proteção do seu padroeiro.
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