sábado, 17 de dezembro de 2022

Memórias de Bucos - San Johannes, Sanhoane, Sanoane, São João,

A palavra "Sanoane" remonta às origens da Casa de Sanoane de Bucos, uma linhagem nobre portuguesa que surgiu no século XIII, ou anteriormente, em terras de Portugal. Origens da palavra Sanoane da Casa de Sanoane de Bucos, São João, San Johannes, Sanhoane. A palavra “Sanoane” remonta às origens profundas da Casa de Sanoane de Bucos, estando associada a uma linhagem antiga que se terá afirmado em território português desde o século XIII, ou mesmo anteriormente. A designação conserva marcas claras da evolução linguística e cultural que atravessou séculos de uso contínuo, tradição oral e registo escrito.A etimologia de Sanoane parece derivar de formas arcaicas relacionadas com a invocação de São João, nome de grande difusão na Idade Média. Expressões como “San Johannes”, de raiz latina, terão sido progressivamente adaptadas à fonética popular, originando variantes como “Sanhoane”, “Sanhone” ou “São Joane”, até se fixar, no contexto local e familiar, na forma “Sanoane”. Este processo reflete a natural transformação da língua ao longo do tempo, particularmente em meios rurais, onde a oralidade desempenhou um papel determinante na consolidação dos topónimos e apelidos familiares.Mais do que uma simples designação, Sanoane representa um símbolo identitário, agregando memória, território e continuidade geracional. A palavra encerra em si a ligação entre fé, organização social medieval e afirmação de uma casa senhorial que se perpetuou através dos séculos, mantendo viva a sua presença na paisagem e na história de Bucos.Assim, o nome Casa de Sanoane de Bucos não é apenas um referente arquitetónico ou familiar, mas um testemunho linguístico e histórico que preserva ecos da formação de Portugal, da cristianização do território e da permanência das suas linhagens fundadoras.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Bucos (Cabeceiras de Basto)

Bucos (Cabeceiras de Basto)
Bucos, uma aldeia antiga com rica história, destaca-se por seu artesanato em lã e prática do jogo do pau, além de oferecer patrimônio edificado, caça, percursos e atividades agrícolas e pecuárias. Aldeia antiga, mencionada em 1258 na “inquisitio eclesie sancti Salvatoris de Cabezeriis”, levanta a hipóteses de se tratar de uma “villa” agrária anterior à Nacionalidade. Famosa pelo seu artesanato em lã, com destaque para as mantas tecidas no pisão, as colchas, as meias e o capucho de burel, Bucos é também famosa pela prática do jogo do pau, local onde existe uma escola que tenta manter viva esta antiga e peculiar arte de defesa pessoal. Bucos é ainda referência pelo património edificado, pela caça, pelos percursos de BTT e pelas actividades agrícolas e pecuárias que desenvolve. Ali se está a desenvovler u projecto de valorização da lã, em breve disponível ao público na Casa da Lã.

Carrazedo de Bucos

Em 1938, a 4 de outubro, Carrazedo de Bucos ficou em segundo lugar no "Concurso da aldeia mais portuguesa de Portugal". O Espigueiro de Carrazedo, talvez o maior de Portugal, é um dos símbolos da freguesia de Bucos, outrora conhecida como "S. João Batista de Bucos". Bucos é uma das dezassete freguesias que compõem o concelho de Cabeceiras de Basto. Bucos já foi famosa em todo o mundo graças ao lugar de Carrazedo, que em 1938 foi considerado uma das aldeias mais portuguesas de Portugal. Embora tenha sofrido mudanças ao longo do tempo, a freguesia conserva ainda hoje sua essência. Situada no sopé das serras da Cabreira e Barroso, além do Alvão e Lameira, Bucos é beneficiada pelos cursos de água do Peio, do Carrazedo, do Loureiro, do Água Telhada, que se dirigem ao Tâmega e fertilizam campos de milho. Além disso, os velhos moinhos ainda funcionam, e a pesca é abundante, com a truta e o escalo como principais espécies. Na Primavera, os campos e serras são vestidos de pastagens, dando lugar a uma pecuária privilegiada, com destaque para a criação de gado bovino (raça Barrosã) e ovelhas e cabras. Além disso, os montes de Bucos são habitados por coelhos, javalis e corças com certa abundância. O Jogo do Pau, um esporte nacional por excelência, é um dos principais símbolos da freguesia e é apreciado na região e em todo o país. E

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Memórias de Bucos - As salgadeiras

As salgadeiras eram essenciais para as carnes antes da existência de frigoríficos, utilizando-se de camadas de sal e conservantes naturais para preservar a carne. Na época, não havia frigoríficos, nem eletricidade, nem sequer congeladores. Mas era necessário conservar as carnes após a desmancha do porco. Para isso, existiam as salgadeiras, que desempenhavam um papel fundamental nessa tarefa. As carnes mais robustas, como os presuntos, os coiratos, os chispes e as orelheiras, eram colocadas em camadas sucessivas de carne e de sal dentro da salgadeira. Já as carnes mais miúdas, como os torresmos, as tripas mais grossas e o bucho, eram conservadas em vinha-de-alhos em pequenas talhas de barro.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Memórias de Bucos - António Santos da Cunha, Governador Civil de Braga

A dedicação do Governador Civil de Braga ao Lugar de Carrazedo reflete a rica identidade cultural da Freguesia de Bucos, preservada por tradições como o Jogo do Pau e o Rancho Folclórico "As Capuchinhas". A família "Santos da Cunha" era originária do Lugar de Carrazedo, na Freguesia de Bucos. Por isso, nutriam grande carinho e dedicação por essa freguesia. Nomeado Governador Civil de Braga pelo governo do Dr. Oliveira Salazar, dedicou especial atenção à Freguesia de Bucos. Ali, ajudou a organizar o Rancho Folclórico "As Capuchinhas de Bucos" e o Grupo do Jogo do Pau, além de inscrever o Lugar de Carrazedo no concurso nacional de "Aldeia Mais Portuguesa" em 1939. O Grupo do Jogo do Pau de Bucos e o Rancho Folclórico "As Capuchinhas de Bucos" foram convidados a participar do grandioso desfile etnográfico de Braga, durante a visita do Dr. Oliveira Salazar à cidade, em 1944, data provável.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Memórias de Bucos - Mestre do jogo do pau Ernesto dos Santos.

Ernesto dos Santos, o "Mestre do Jogo do Pau", revolucionou Bucos com a organização de grupos infantis e adultos do jogo do pau, lançamento de martelo e demonstrações internacionais. O "Mestre do Jogo do Pau" Ernesto dos Santos foi o principal impulsionador e organizador do jogo do pau em Bucos. Com apenas poucos anos, ele partiu para Maceira de Liz, onde trabalhou na fábrica de cimento, antes de passar por Lisboa. Lá, frequentou o Ateneu Comercial e o Lisboa Ginásio para aprimorar suas habilidades no jogo do pau. Além disso, ele iniciou o lançamento do martelo no Sporting Clube de Portugal. O martelo que ele usava está agora na Casa do Anelho, em Bucos. Após suas experiências em Lisboa, ao retornar a Bucos, compartilhava seus conhecimentos com os conterrâneos da freguesia. A contribuição do "Mestre" Ernesto dos Santos é conhecida pela organização e dinamização do "Grupo do Jogo do Pau de Bucos" durante a visita do Dr. Oliveira Salazar a Braga, nos anos 1940. Nos anos 1950, ele organizou um grupo infantil do jogo do pau, onde aprendi a jogar, junto com Domingos, António, Manuel, e outros. Em seguida, nos anos 1960, ele criou um grupo de lançamento de martelo, onde aprendi a lançar o martelo, sob a sua orientação. Em 1969, ele dinamizou um grupo do jogo do pau que realizou uma demonstração para uma revista alemã e para o Museu de Etnografia de Lisboa.

Memórias de Bucos - Grupo do jogo do pau, Bucos, 1938

A tradição do jogo do pau em Bucos sempre esteve presente. Foi a família Santos da Cunha, de Carrazedo de Bucos, que dinamizou esta prática para dois grandes eventos: o Concurso "Aldeia Típica Portuguesa", em 1938
e para a visita a Braga do Sr Dr António Salazar nos anos quarenta e tal. Nessa altura, António da família Santos da Cunha, que vivia em Braga e era oriunda de Carrazedo de Bucos, foi nomeado Governador Civil de Braga, por isso este movimento de apoio ao Dr António Salazar.

Memórias de Bucos - Grupo Folclórico "As Capuchas de Bucos"

Este grupo foi organizado e dinamizado pela família Santos da Cunha de Carrazedo de Bucos para dois grandes eventos: Concurso "Aldeia Típica Portuguesa" a que Carrazedo de Bucos ocorreu em 1939 e a visita do dr António Salazar a Braga em 1944?. O Grupo "As Capuchas de Bucos" usavam a tradicinal capa de burel, castanha, que era feita e apisoada na Freguesia. A minha falecida mãe, Ana de Oliveira Urjais, nascida em 1922, foi uma das cantadeiras e dançarinas do grupo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Coronel da Revolução, capitão do 25 de Abril de 1974, passa passagem do ano 21/22, em Bucos

A passagem do ano 2021/2022 foi celebrada pelo Coronel Rodrigo Sousa e Castro, um dos líderes da Revolução de 25 de Abril, em Bucos, com um momento de reflexão e agradecimento. O Coronel da Revolução 25 de Abril, Rodrigo Sousa e Castro, celebrou a passagem do ano 2021/2022 na Casa de Sanoane de Cima, em Bucos. Na foto, ele está sentado na pedra encavalgada, na Serra de Bucos.