terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que pensar, o que fazer?

A idade vai avançando, silenciosa e persistente. As alterações fisiológicas do corpo começam a aparecer uma a uma, como sinais que já não pedem licença. O domínio corporal diminui, o equilíbrio falha em alguns momentos, a memória esquece nomes, datas, pequenos gestos que antes vinham sozinhos. Surge uma espécie de neblina visual, a cabeça parece mais pesada, as forças enfraquecem. Tudo isso vai crescendo com a idade, somando dificuldades ao dia a dia. Diante disso, o que pensar? Talvez aceitar sem resignação cega, reconhecer sem medo. O corpo muda, mas a pessoa não se reduz a ele. O envelhecimento não é apenas perda; é também adaptação, aprendizagem de novos ritmos, revisão de prioridades. E o que fazer? Cuidar mais do que controlar. Respeitar os limites sem desistir do movimento. Estimular a memória, mesmo quando ela falha. Manter rotinas simples, atenção ao corpo, à alimentação, ao descanso. Pedir ajuda quando necessário — isso não é fraqueza, é inteligência prática.Sobretudo, é preciso cultivar a lucidez emocional: não se medir apenas pelo que já não se consegue fazer, mas pelo que ainda se sente, se compreende, se transmite. A idade traz dificuldades, sim, mas também traz uma visão mais larga da vida, um saber que não se aprende nos livros. Envelhecer é aprender a caminhar com mais cuidado, mas com mais consciência. É perder alguma força nos músculos e ganhar densidade no olhar. É aceitar o tempo no corpo, sem deixar que ele roube o sentido da própria existência.

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