segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Memórias de Bucos - Cartão Postal de Bucos

Bucos - Cartão postal

Este cartão postal de Bucos transporta-nos para a essência da vida rural da freguesia. Em primeiro plano, o canastro, símbolo maior da economia agrícola tradicional, ergue-se como guardião do milho e da subsistência das famílias, testemunhando saberes antigos transmitidos de geração em geração. Junto a ele, uma vaca, presença constante na paisagem serrana, representa a importância da pecuária no quotidiano local, ligada ao trabalho da terra, ao sustento e ao ritmo das estações. Ao fundo, o cruzeiro, marco de fé e devoção popular, confere ao cenário um carácter espiritual e identitário, lembrando a proteção divina invocada pelos habitantes ao longo dos tempos. Este postal não é apenas uma imagem; é um retrato fiel de Bucos, onde natureza, trabalho e crença se entrelaçam, preservando a memória de um modo de vida simples, profundo e enraizado na tradição.

Memórias de Bucos - Manuel Braz

Manuel Braz e o Jogo do Pau de Bucos No largo da Rechada, sob a orientação do Mestre Ernesto dos Santos, aprendi todos os movimentos e técnicas dos jogos praticados pelo grupo do Jogo do Pau. Foi ali que me iniciei e aprofundei no jogo da cruz, no contra-jogo, no jogo do meio, no jogo da cruz a quatro, nas pancadas na cabeça e no jogo do ladeado, absorvendo não apenas a técnica, mas também o respeito, a disciplina e o espírito coletivo que caracterizam esta arte tradicional. Por ter vivido fora da freguesia durante largos períodos, nunca cheguei a integrar formalmente os grupos de Jogo do Pau que se foram formando ao longo dos anos em Bucos. Ainda assim, quando me foi possível, fiz uma aprendizagem intensiva, com o objetivo claro de me tornar um elemento capaz e digno do grupo do Jogo do Pau de Bucos. Os treinos seguiam uma sequência bem definida. Ao chegarmos ao largo da Rechada, iniciávamos com o jogo da cruz individual, como forma de aquecimento e domínio do pau. Seguiam-se o contra-jogo e as pancadas na cabeça, praticados por dois jogadores, onde se testavam a rapidez, a defesa e o controlo. Depois, passávamos ao jogo do meio, envolvendo três jogadores, exigindo maior atenção e coordenação. O jogo da cruz com quatro ou cinco jogadores realizava-se com os paus cruzados ao centro da roda, criando uma dinâmica coletiva marcada pela precisão e pelo ritmo. Por fim, encerrávamos com o ladeado, jogado com todos os participantes em roda e, consoante o número de jogadores, um ou dois no interior, num exercício de grande destreza, concentração e respeito mútuo. Estas aprendizagens, vividas no largo da Rechada, ficaram gravadas como parte essencial da minha ligação à tradição do Jogo do Pau e à memória viva de Bucos.